Poesias de João Martins

E Deus criou o homem...
Certamente, logo depois,
veio a criação da arte.
Seria preciso inventar
uma emoção diferente,
envolvente,
para que o próprio homem
se entendesse como ser,
sensível,
e confiante em si mesmo.

Te darei todas as estrelas
o crepúsculo e o luar.
Até o sol das manhãs
amornarei pra te ninar.
Apanharei o arco-íris
para te enfeitar de cores.
E para te perfumar
te darei todas as flores
Mas o melhor já tem de mim:
a certeza de te amar
e o meu amor sem fim.


Era tudo tristeza
como se fosse beleza
naquela criança infeliz...
Era a falta do prato.
Era a falta da cama.
Era o abismo e era o salto.
Era a fome e era o drama
de nem ter a casa.
Era a vida... sem vida.

Das frutas
eu quero
a delícia da seiva
e do mel.
Da vida
eu espero
o doce prazer
de viver o meu eu.

Ondas brancas.
Areias finas.
Ancas femininas
que se deitam
nas areias brancas
de Amaralina.
Ancas de sereia.
Seria sereia,
ou seria minha menina?


Livre
como o pássaro.
Sem limites de vôo
e sem cordões de isolamento.
Livre,
como o céu e a chuva,
que apesar da nuvem turva
não precisa de um botão
para ser
e acontecer.